Como emitir nota fiscal para serviços freelancer consiste em formalizar-se (MEI, empresa ou autônomo), cadastrar-se na prefeitura ou provedor de NFS-e, preencher dados do prestador e tomador, indicar código e descrição do serviço, aplicar alíquotas e retenções de ISS e emitir, salvar PDF/XML e recolher tributos conforme regime.
Como emitir nota fiscal para serviços freelancer parece complicado, mas com passos práticos você pode organizar cobranças e evitar problemas. Quer ver um exemplo simples que funciona para a maioria dos profissionais?
Quais são os tipos de nota fiscal para prestadores de serviço
Existem quatro opções comuns para comprovar serviços prestados: NFS-e, RPA, nota fiscal avulsa e alternativas quando o contratante faz a retenção. Cada uma tem regras e impactos fiscais diferentes.
NFS-e (Nota Fiscal de Serviços Eletrônica)
A NFS-e é o documento padrão para serviços em muitos municípios. Geralmente é emitida por empresas e MEI. Tem validade fiscal, facilita a prestação de contas e evita problemas com o cliente.
Como funciona:
- Cadastro na prefeitura ou uso de sistema integrado.
- Preenchimento de dados do tomador, descrição do serviço, valor e alíquota do ISS.
- Emissão eletrônica com protocolo e número único.
Vantagens: aceitação ampla, integração contábil e registro automático do ISS.
RPA (Recibo de Pagamento a Autônomo)
O RPA é utilizado quando o prestador é pessoa física sem empresa registrada. Quem paga emite o recibo e faz os recolhimentos obrigatórios.
Pontos principais:
- Contratante calcula e retém INSS e IRRF quando aplicável.
- Emitir DARF e GPS para recolhimento dos tributos.
- Serve como comprovação de pagamento, mas não é NFS-e.
Use RPA quando o trabalhador não tiver CNPJ ou não puder emitir NFS-e.
Nota fiscal avulsa
A nota fiscal avulsa é uma alternativa na ausência de cadastro municipal. Algumas prefeituras permitem emitir uma nota avulsa online ou presencialmente para autônomos.
Características:
- Emissão limitada e pontual, ideal para serviços esporádicos.
- Regras variam por município; pode haver taxa administrativa.
- Não substitui a formalização regular quando a atividade for frequente.
Diferença entre NFS-e e NF-e
É comum confundir NFS-e com NF-e. A NF-e é voltada principalmente para circulação de mercadorias. Freelancers que prestam serviços normalmente usam NFS-e ou alternativas municipais.
Como escolher a opção certa
Pergunte-se: a atividade é contínua? Tenho CNPJ? O cliente exige NFS-e? Se for MEI ou empresa, prefira NFS-e. Se for pessoa física e ocasional, o RPA ou nota avulsa podem resolver. Considere também retenções e obrigações acessórias antes de decidir.
Exemplo prático: um designer MEI emite NFS-e mensalmente; um consultor autônomo contratado uma vez pode aceitar RPA com recolhimento pelo cliente.
Como escolher a formalização certa: MEI, pessoa física ou empresa

Ao decidir entre MEI, pessoa física ou empresa, avalie faturamento, frequência dos serviços, exigência do cliente por NFS-e e custo administrativo.
MEI
O MEI é indicado para quem fatura até o limite anual permitido e exerce atividades autorizadas. A formalização é simples pelo Portal do Empreendedor e o pagamento é feito por uma guia fixa mensal (DAS).
- Vantagens: baixa carga tributária, burocracia reduzida, possibilidade de emitir NFS-e na maioria dos municípios.
- Limitações: teto de faturamento, número reduzido de empregados permitidos e restrições por atividade.
- Custos: taxa mensal fixa e eventual contador apenas em casos específicos.
Pessoa física (autônomo)
Como autônomo você pode atuar sem CNPJ e receber por RPA ou recibo simples. O contratante pode ser responsável por retenções de INSS e IRRF.
- Vantagens: flexibilidade e baixo custo inicial.
- Desvantagens: menor credibilidade para alguns clientes, obrigações de recolhimento que podem recair sobre o contratante e limites para crescimento.
- Quando usar: trabalhos eventuais ou antes de decidir pela formalização.
Empresa (Simples Nacional, microempresa)
Para quem ultrapassa o teto do MEI ou precisa contratar, abrir uma empresa (optante pelo Simples Nacional ou outra forma) costuma ser a melhor opção.
- Vantagens: maior credibilidade, emissão clara de NFS-e, possibilidade de deduzir despesas e contratar funcionários.
- Desvantagens: obrigações fiscais e contábeis, custo de contador e gerenciamento mensal de tributos.
- Quando considerar: faturamento crescente, necessidade de emitir notas para grandes clientes ou contratação de staff.
Comparando critérios práticos
Use estes pontos para comparar opções:
- Faturamento previsto: projete 12 meses para ver se ultrapassa o limite do MEI.
- Tipo de cliente: empresas grandes costumam pedir NFS-e e CNPJ.
- Frequência: trabalhos contínuos pedem formalização; serviços esporádicos podem ficar como autônomo.
- Custo operacional: some taxas, contador e tributos antes de decidir.
Passos práticos para optar e migrar
- Faça uma simulação de tributos com um contador.
- Se optar por MEI, registre-se no Portal do Empreendedor e verifique a possibilidade de emitir NFS-e no seu município.
- Se precisar abrir empresa, escolha o regime (Simples Nacional costuma ser mais simples para pequenos negócios) e obtenha CNPJ.
- Migração: caso o faturamento exceda o limite, faça a transição do MEI para microempresa o quanto antes para evitar irregularidades.
Exemplo prático: um designer que fatura R$ 3.500 mensais pode se beneficiar do MEI; se o faturamento subir para R$ 10.000 mensais e houver contratação, considere abrir empresa no Simples Nacional.
Passo a passo para emitir nota fiscal eletrônica (NFS-e) no seu município
Cadastre-se no portal da prefeitura ou em sistema autorizado e confirme seu acesso com CPF/CNPJ e senha. Tenha em mãos dados do cliente e a descrição do serviço antes de começar.
Pré-requisitos
- Cadastro ativo na prefeitura ou provedor de NFS-e.
- Certificado digital quando exigido pelo município (A1 ou A3).
- Dados do prestador: CNPJ/CPF, endereço e inscrição municipal, se houver.
- Dados do tomador: nome/razão social, CPF/CNPJ, endereço e município.
Passo a passo detalhado
- Acesse o sistema: entre no portal municipal com login e senha ou através do software de emissão autorizado.
- Escolha o tipo de documento: selecione NFS-e e o modelo correto para serviços.
- Preencha os dados do prestador: confirme CNPJ/CPF, nome, endereço e inscrição municipal.
- Preencha os dados do tomador: informe CNPJ/CPF, endereço e município; atenção a tomadores de fora do município, que podem implicar alíquotas diferentes.
- Descreva o serviço: use uma descrição objetiva e evite abreviações confusas; inclua prazo, etapa entregue ou número do projeto quando necessário.
- Informe o código do serviço: insira o código municipal ou a classificação exigida pela prefeitura (alguns municípios usam códigos próprios).
- Insira valores e impostos: lance o valor do serviço, verifique a alíquota do ISS e se há retenções (INSS, IRRF, PIS/COFINS) que o contratante deve efetuar.
- Revise antes de emitir: confira dados, valores, alíquotas e se o tomador exige retenção; corrija erros antes de finalizar.
- Emita e salve: gere o documento eletrônico, baixe o PDF/XML e salve a chave de protocolo; muitos sistemas permitem reenviar por e-mail.
- Envie ao cliente e arquive: encaminhe a NFS-e ao cliente e guarde cópia eletrônica por, pelo menos, o prazo exigido pela legislação.
Integração com contabilidade
Configure a exportação de XML/PDF para o seu contador ou importe automaticamente para o sistema de gestão. Manter registros organizados facilita apuração de impostos e entrega de obrigações acessórias.
Erros comuns e como evitar
- Dados incorretos do tomador: confirme CPF/CNPJ e endereço para evitar cancelamentos.
- Alíquota errada do ISS: verifique na tabela municipal antes de emitir.
- Falta de certificado digital quando exigido: valide requisitos técnicos com antecedência.
- Não salvar comprovantes: sempre baixe e faça backup do XML/PDF imediatamente após a emissão.
Dica prática: faça uma emissão de teste para validar o processo no município e documente o fluxo para repetir com segurança nas próximas notas.
Tributação, retenções e cálculos: quanto cobrar e como recolher impostos

Entender tributação e retenções ajuda a definir quanto cobrar e evitar surpresas no caixa. A carga tributária muda segundo sua formalização (MEI, Simples ou pessoa física) e o tipo de cliente.
Principais tributos que incidem sobre serviços
- ISS (Imposto sobre Serviços): tributo municipal sobre a prestação do serviço; a alíquota varia por cidade e serviço.
- INSS: contribuição previdenciária que pode ser recolhida pelo prestador (autônomo) ou retida pelo tomador em caso de RPA.
- IR (IRPF ou IRPJ/IRRF): imposto de renda sobre o lucro ou rendimento; pode haver retenção na fonte conforme tabela vigente.
- PIS, COFINS e CSLL: geralmente aparecem quando o prestador é pessoa jurídica; no Simples Nacional esses tributos são simplificados.
Retenções na fonte: quando o contratante desconta
Em contratações por RPA ou quando a legislação exige, o tomador pode reter tributos e recolhê‑los. As retenções comuns são INSS, IRRF e, às vezes, parcelas de PIS/COFINS/CSLL para empresas. Se o contratante reter, o valor que você recebe já vem com esses descontos.
Como calcular na prática (exemplo simples)
Exemplo: serviço acordado por R$ 1.000.
- ISS municipal (5%): 1.000 × 0,05 = R$ 50
- Se houver retenção de INSS (11% sobre o valor bruto, exemplo): 1.000 × 0,11 = R$ 110
- Valor bruto R$ 1.000 − ISS 50 − INSS retido 110 = R$ 840 (valor recebido, antes de IR conforme tabela)
Observação: alíquotas e bases variam conforme município, natureza do serviço e regime tributário. Consulte a tabela do seu município e um contador para valores exatos.
Como recolher e declarar
- Se for MEI: pague o DAS mensal; em geral não há retenções de ISS pelo tomador.
- Se for pessoa jurídica no Simples: recolha via DAS conforme a guia emitida e registre notas eletrônicas.
- Se receber por RPA como pessoa física: o contratante costuma emitir o recibo e recolher INSS/IRRF; verifique os comprovantes (DARF/GPS) e guarde o RPA para sua declaração anual.
- Emissão de NFS-e: ao emitir, o sistema já indica ISS; mantenha PDF/XML arquivados e envie ao seu contador.
- Declaração anual: inclua rendimentos e impostos pagos/retidos na declaração de imposto de renda (pessoa física) ou na contabilidade da empresa.
Dicas práticas para precificar e evitar problemas
- Calcule o preço considerando impostos: defina o valor bruto que cubra todos os custos e deixe margem para impostos e lucro.
- Ofereça opções claras ao cliente: informar se o preço é “com nota” (NFS-e) ou “sem nota” evita surpresas; many clients request NFS-e and expect CNPJ.
- Documente tudo: emita NFS-e sempre que possível, arquive RPA e comprovantes de recolhimento (DARF/GPS).
- Consulte um contador: regras municipais e tabelas de retenção mudam e um contador ajuda a aplicar corretamente as alíquotas e declarar tributos.
Com contas claras você define um preço justo, cumpre obrigações e mantém a saúde fiscal do seu trabalho freelance.
Erros comuns, recibos alternativos e organização da documentação fiscal
Muitos freelancers cometem erros simples que geram dor de cabeça fiscal. Conhecer os deslizes mais comuns ajuda a evitar multas e retrabalho.
Erros comuns
- Emitir nota com dados do tomador incorretos: CPF/CNPJ ou endereço errado impede a compensação e pode exigir cancelamento.
- Não registrar retenções: aceitar pagamento sem comprovante de INSS ou IRRF retido dificulta a declaração.
- Guardar apenas cópias físicas: perder arquivos digitais ou não ter backup atrasa a contabilidade.
- Usar descrições genéricas na nota: silêncio sobre o serviço pode gerar questionamentos fiscais.
- Deixar de conferir alíquotas de ISS: aplicar a alíquota errada resulta em diferença a recolher.
Recibos alternativos e quando usá‑los
Algumas situações aceitam documentos além da NFS-e. O RPA é comum para pessoa física; a nota avulsa serve para autônomos em municípios que a oferecem; o recibo simples pode documentar pagamentos informais, mas tem menor peso fiscal.
- RPA: quem paga costuma emitir e recolher INSS/IRRF; peça cópia do DARF/GPS.
- Nota avulsa: solução pontual quando não há cadastro municipal.
- Recibo simples: útil para registros internos, mas não substitui obrigações quando a lei exige nota fiscal.
Documentos que você deve guardar
- NFS-e (PDF e XML) e comprovantes de envio ao cliente.
- RPA e comprovantes de recolhimento (DARF/GPS) quando aplicável.
- Contratos, propostas aceitas e comprovantes de pagamento.
- Comprovantes de retenção fornecidos pelo tomador.
Como organizar a documentação
- Adote pastas digitais por ano e por cliente: ex. 2026/ClienteX/Notas.
- Nomeie arquivos com data e tipo: 2026-02-01_NFSe_Cliente.pdf.
- Mantenha backup automático em nuvem e cópia local offline.
- Digitalize recibos em até 7 dias e verifique legibilidade.
- Agende uma revisão mensal para conciliar notas emitidas com valores recebidos.
Boas práticas ao lidar com o cliente
- Combine no contrato se a cobrança será com nota (NFS-e) ou por RPA.
- Peça ao cliente comprovantes de retenção quando houver desconto na fonte.
- Envie a NFS-e assim que emitir e solicite confirmação de recebimento.
- Se o cliente recusar emitir nota, registre a negociação por escrito para sua defesa fiscal.
Dessa forma você reduz riscos, facilita a contabilidade e mantém um histórico claro para a declaração anual e possíveis fiscalizações.
Conclusão
Agora você tem orientações práticas para começar a emitir nota fiscal para serviços freelancer sem complicação. Organize documentos, escolha a formalização adequada e use NFS-e quando possível.
Calcule preços incluindo tributos e confirme com o cliente como serão feitos os recolhimentos. Pequenos erros de preenchimento são comuns, mas fáceis de evitar com checagens simples.
Se surgir dúvida sobre alíquotas ou retenções, consulte um contador. Com rotina e arquivamento correto, sua atividade fica mais segura e mais profissional.
FAQ – Perguntas frequentes sobre Como emitir nota fiscal para serviços freelancer
O que é NFS-e e quando devo usá-la?
A NFS-e (Nota Fiscal de Serviços Eletrônica) é o documento oficial para comprovar serviços. Use-a sempre que o cliente exigir nota fiscal ou quando a atividade for contínua; é emitida via prefeitura ou provedor autorizado.
Como faço para emitir NFS-e no meu município?
Cadastre-se no portal da prefeitura ou em um sistema autorizado, preencha dados do prestador e do tomador, descreva o serviço, informe valores e impostos, emita e salve o PDF/XML.
Posso trabalhar como autônomo sem CNPJ e emitir nota?
Sim, mas depende do município. Muitas vezes o autônomo usa RPA ou nota avulsa; alguns municípios permitem emissão por CPF. Verifique as regras locais ou formalize-se como MEI se for contínuo.
O que é RPA e quem deve recolher os impostos?
RPA é o Recibo de Pagamento a Autônomo, usado para pessoa física. Geralmente o contratante calcula e retém INSS e IRRF e faz o recolhimento; peça comprovantes (DARF/GPS).
Quais documentos devo guardar e por quanto tempo?
Guarde NFS-e (PDF/XML), RPAs, comprovantes de recolhimento (DARF/GPS), contratos e comprovantes de pagamento. Mantenha arquivos organizados e em backup por, pelo menos, 5 anos.
Como incluir tributos no preço do meu serviço?
Calcule o preço partindo do valor líquido que deseja receber e some ISS e outras retenções esperadas. Use percentuais médios do seu município e formalização; consulte um contador para ajustar alíquotas e evitar subfaturamento.
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